As sessões apresentadas pela TV Senado concorrem com muita vantagem sobre os seus pares nos outros canais. Daí que, também porque tenho com quem comentar a respeito das posturas e dos géis do dia --com meu grande amigo Sergei Kofeinovich--, elas viraram meu programa preferido. Especial e inadiavelmente se contam com a presença do senador Mãossanta (PMDB-PI). Hoje foi um dia especialmente bom. Segue a prova.
Homem sério, digno, honrado. Não era do meu partido, não. Eu acho que, se esse Papa fosse canonizar outro, poderia ser o Malan. Ninguém roubou e o jogo era limpo.
É claro que ele diz ôm séri, dign, onrad.
O Malan não deixava isso não. Ô, Mantega, com todo respeito: eu não me dou com ele, mas sei que isso ele não deixava não. Olha, Camata, você está metido a durão aí, mas o Malan era sério, honesto e honrado. Eu negociei essas dívidas todinhas.
Então, Mantega, pelo amor de Deus, dê lá o dinheiro para o Governador. Eu estou pedindo, pelo amor de Deus, pelo Piauí, mas peço também que se vigiem os aloprados, porque chega muito dinheiro lá e desaparece. É para ele pagar as contas.
Ô Camata, você está pensando que é durão? Não é não. O Malan era muito mais sério, muito mais durão e muito mais eficiente. É por isso que nós estamos nessa estabilidade econômica.
O SR. PRESIDENTE (Gersoncamata. PMDB – ES) – O orador não pode ser aparteado pois está fazendo uma comunicação urgente.
O SR. MÃOSANTA (PMDB – PI) – Eu nunca mais vi o Malan, mas eu quero dizer aqui, cristão que sou como São Francisco, que, se houver um segundo a ser canonizado, deve ser o Malan. Arrochou muito, mas era homem sério, e eu via que era em nome da decência, da dignidade. Tinha de saber quanto ganhava, era a responsabilidade fiscal.
Tenho um novo epitáfio: "Arrochou muito, mas era homem sério".